ENVELHECIMENTO ACTIVO OU ACTIVE AGEING


Como conseguir que os idosos se mantenham ativos, independentes e saudáveis, mantendo laços com a sociedade, vivendo autónomos ou com apoio de Cuidadores Familiares ou Formais, gerindo a sua vida e a sua doença como cidadãos de pleno direito?


1- O Envelhecimento é um global issue: o Mundo está a envelhecer de forma acelerada


- A natalidade continua a diminuir e a esperança de vida a aumentar;
- A população europeia entre os 65 e os 80 anos aumentará 40% entre 2010 e 2030;
- Na União Europeia as pessoas com mais de 65 anos representarão em 2060 30% da população total (contra 16% em 2010);
- Com o envelhecimento crescem as ameaças de fragilidade da saúde física e mental, prevalecem as doenças crónicas e níveis acrescidos de dependência e correspondentes acréscimos de custos com a Saúde e os apoios Sociais.

Não há dúvida que o envelhecimento é sinónimo de aceleração de doenças crónicas, de dependências e declínios funcionais progressivos, de solidão, isolamento, abandono de rejeição; os estigmas vão crescendo à medida que as “redes sociais” ou o “capital social” das pessoas se vai desvanecendo com a morte de familiares e amigos mais próximos. Sendo assim, todos procuram respostas para, entre outros, os seguinte temas:

• como é possível conseguir-se um envelhecimento bem sucedido?
• como  criar e manter vínculos com a vida e  com a sociedade  quando se envelhece?
• como manter os mais velhos saudáveis e autónomos durante mais tempo ?
• como fomentar as redes sociais de apoio aos mais velhos e mais vulneráveis respeitando a sua liberdade privacidade e autonomia?

É neste contexto que as organizações internacionais envolvidas nas politicas para o envelhecimento, têm vindo sucessivamente a procurar abordagens/contributos/iniciativas tipo umbrella, para  enfrentar o maior desafio demográfico de que há memória. É neste contexto que a União Europeia instituiu o ano de 2012 como o ano do ENVELHECIMENTO ATIVO. 

2- A estratégia da União Europeia para enfrentar o desafio do Envelhecimento – articular o CURE e o CARE



A União Europeia tem vindo a desenvolver esforços e iniciativas no sentido de responder ao desafio do Envelhecimento com uma visão positiva, valorizando o papel dos mais velhos na sociedade, promovendo o respetivo empowerment como cidadãos e como doentes, e reconhecendo e apoiando o papel dos Cuidadores familiares e dos Cuidadores Profissionais, da área da Saúde e Social.

Apela-se à inovação - tecnologia, processos e organização social - para promover a saúde e bem-estar dos cidadãos mais velhos, num quadro de sustentabilidade dos sistemas de Saúde e Apoio Social, contrariando a perceção atualmente dominante na sociedade dos mais velhos serem encarados fundamentalmente como doentes e beneficiários de apoio sociais.

Com base na proposta do European Innovation Partnership (EIP) on Active and Healthy Ageeing, a União Europeia identificou uma estratégia de desenvolvimento que tem por objetivo conseguir duplicar o número de anos saudáveis (HLYs) na UE em 2020, através de uma aposta para que todos ganhemos na Europa:

Melhorar a saúde e a qualidade de vida dos cidadãos europeus, especialmente dos mais velhos;
Assegurar sistemas de Saúde e de Apoio Social (Cure e Care) mais eficientes e sustentáveis;
Fomentar com as novas iniciativas a economia europeia
Promover que novas soluções ou resoluções inovadoras sejam conhecidas, transmitidas e replicadas no Espaço Europeu.

A estratégia europeia de desenvolvimento para alcançar estes objetivos assenta em Três Pilares definidos com base na relação dos mais velhos com a Saúde e o Apoio Social:

Pilar 1 - Prevenção, rastreio e diagnóstico precoce da doença ;
Pilar 2 - CURE e CARE;
Pilar 3 - Active Ageeing e vida independente e autónoma, integrada na sociedade

Subjacente a esta abordagem está:

• O empowerment do cidadão, promovendo a criação de vínculos com a vida e com a sociedade, qualquer que seja o meio, para conseguir manter as pessoas inseridas em redes familiares e sociais, formais ou informais, ao longo da vida e manterem-se como cidadãos de pleno direito e reconhecidos pela sociedade como tal;

• A evolução de uma política de intervenção em saúde predominantemente reativa e curativa, muito baseado na prestação de cuidados de saúde agudos para uma intervenção proactiva baseada na prevenção e promoção da Saúde, com maior destaque para a intervenção dos Cuidados de Saúde Primários;

• A evolução para um empowerment do doente, tomando em suas mãos a promoção ativa da sua saúde, da sua autonomia e o controlo e gestão da sua doença;

• A evolução para um reconhecimento, dignificação e promoção do papel e do apoio ao Cuidador (Familiar ou Profissional), reconhecendo o seu papel essencial na tarefa de CUIDAR e AJUDAR A VIVER;

Como preocupação dominante fica a de que as iniciativas, soluções ou resoluções inovadoras que venham a ocorrer sejam conhecidas, transmitidas e replicadas no Espaço Europeu.

Passando agora a uma análise sumária de cada um dos três pilares:

Pilar 1
- Prevenção, rastreio e diagnóstico precoce da doença, prevenindo e adiando o mais possível o aparecimento e agravamento das doenças crónicas.

Sabe-se que 70% dos gastos em saúde na Europa são dispendidos com as doenças crónicas: é indispensável reduzir os fatores de risco, promover hábitos de vida saudável e adiar até o mais tarde possível o aparecimento de episódios agudos de doença e episódios de internamento hospitalar desnecessários. Os princípios gerais de intervenção são:

• Promover a divulgação de informação clínica adequada (clinical outcomes) em informação em saúde, com vista ao empowerment e responsabilização do Doente e Cuidador, na gestão da sua saúde;
• Implementar programas integrados para a prevenção, diagnóstico precoce e “gestão” do declínio funcional, quer físico quer cognitivo, com parceiros da Saúde e da Área Social-

Reconhece-se a necessidade imperiosa em se conseguir evoluir de uma politica de intervenção em saúde predominantemente reativa e curativa, muito baseado na prestação de cuidados de saúde agudos para uma intervenção proactiva baseada na prevenção e promoção da Saúde com papel destacado dos Cuidados de Saúde Primários, e de um  maior empowerment do cidadão no controlo e gestão da sua  doença.

Uma vez identificadas as doenças crónicas mais relevantes como a diabetes, cancro, doenças respiratórias, doenças cardiovasculares e músculo esqueléticas, o objetivo é intervir nos fatores de risco identificados como mais diretamente relacionados (como o consumo excessivo de álcool, falta de exercício físico, hábitos tabagísticos, hábitos alimentares desadequados….). Este tipo de intervenção beneficia os doentes e as suas famílias e contribui para a sustentabilidade dos sistemas de saúde e de apoio social.

Pilar 2 - CARE e CURE – para uma aproximação holística, personalizada e multidisciplinar do doente

É essencial conseguir-se uma intervenção concertada entre parceiros da Saúde (CURE) e parceiros da área Social (CARE), evitando hospitalizações desnecessárias, mantendo as pessoas bem apoiadas e bem cuidadas, com os seus Cuidadores, nos locais onde residam. Neste pilar salienta-se uma forte mensagem: os cuidados não podem continuar a ser segmentados entre o silo do CURE e o silo do CARE, e é imperioso que se consiga uma articulação eficaz e eficiente entre os Parceiros da Saúde e os Parceiros da Ação Social. Para que esta forte mensagem seja uma realidade propõe-se:

• A disseminação de protocolos e programas de treino entre as organizações de Saúde e as da Área Social, direcionadas para profissionais, cuidadores formais e familiares, versando sobre a compreensão de doenças crónicas, situações de vulnerabilidade e multi-morbilidade, que os muna de competências que os levem a uma intervenção mais adequada e eficaz;

• O estabelecimento de ações piloto para alguns tipos de doença crónica, sobretudo as que estão identificadas como as mais frequentes;

• A redução de internamentos desnecessários de doentes crónicos em hospital de agudos, através de programas de acompanhamento da doença crónica, articulando parceiros da área da Saúde e do Apoio social, mantendo-os preferencialmente e até o mais tarde possível nas seus locais habituais de residência.

Pilar 3 - Envelhecimento Ativo, Vida independente e Autónoma

Pretende-se a integração dos idosos na sociedade como cidadãos de pleno direito, gerindo a sua vida, a sua saúde, promovendo a sua autonomia e recebendo os Cuidados adequados, com Respeito, Dignidade e Privacidade. A preocupação é assegurar a permanência de pessoas com algum tipo de dependência no seu no próprio domicílio, com o máximo de segurança e apoios especializados, adiando para o mais tarde possível uma possível institucionalização.

É indispensável promoverem-se soluções de vida autónoma, bem apoiadas em Cuidadores Familiares, Informais ou Formais, que estejam devidamente habilitados e consigam prestar uma assistência conveniente, incluindo os casos relacionados com a saúde mental.

Os equipamentos residenciais devem ser preparados e adaptados para facilitar a circulação, evitar riscos de quedas e estar providos de sistemas e adaptações tecnológicas de incentivo a uma vida independente.

É cada vez mais importante que as pessoas, à medida que vão evoluindo na idade, procurem ativamente pontos de interesse e atividades que o motivem e que contribuam para manterem laços e ligações com a sociedade.


Rosário Sobral
Presidente da Direção da ADVITA
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