MEDICAMENTOS - PERGUNTAS FREQUENTES 

O que são medicamentos?

São substâncias - designadas substâncias activas ou fármacos - ou misturas de substâncias que possuem propriedades curativas ou preventivas das doenças e dos seus sintomas. O uso de um medicamento tem como finalidade estabelecer um diagnóstico médico, restaurar, corrigir ou modificar as funções do corpo humano. (1)

Todos os medicamentos têm de ser adquiridos com receita médica?

Não.
Existem medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) e medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM).
Os medicamentos sujeitos a receita médica são os que só podem ser dispensados na farmácia mediante apresentação da receita emitida por médicos. (1)

Porque é que há medicamentos que só podem ser adquiridos com receita médica?

Os medicamentos que só podem ser adquiridos com receita médica são-no geralmente porque:
a) Podem constituir, directa ou indirectamente, um risco, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica;
b) São com frequência utilizados em quantidade considerável para fins diferentes daquele a que se destinam, se daí puder resultar qualquer risco, directo ou indirecto, para a saúde;
c) Contêm substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja actividade e ou efeitos secundários seja indispensável aprofundar;
d) Destinam-se a ser administrados por via parentérica, ou seja, são injectáveis. (1)

Porque é que só alguns medicamentos têm desconto na Farmácia (são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde)?

Para que um medicamento seja comparticipado pelo Estado, o responsável pela sua comercialização ou seja, o titular de Autorização de Introdução no Mercado, tem que o requerer ao INFARMED, de acordo com os princípios estabelecidos na legislação nacional. O processo de avaliação e decisão de comparticipação do medicamento dependerá então da demonstração da necessidade e vantagem de ordem terapêutica e económica, em relação a outros medicamentos comparticipados e comercializados para a mesma finalidade. (1)

O que são medicamentos genéricos?

Um medicamento genérico é um medicamento sem marca.
Possui a mesma substância activa ou seja, substância com actividade terapêutica ou fármaco, indicação terapêutica, qualidade, eficácia e segurança, mas tem obrigatoriamente um preço 35% inferior ao do medicamento de marca original.
São mais baratos porque os fabricantes os produzem e comercializam depois da patente do medicamento original ter caducado. Por esse motivo, o fabricante não tem de gastar dinheiro na investigação científica nem na aquisição dos direitos de propriedade industrial, conseguindo colocá-los no mercado a um preço mais favorável.
O Ministério da Saúde, através do INFARMED, avalia os estudos e testes de comparação entre o medicamento genérico e o medicamento de marca original para garantir igual qualidade em ambos.
Caso exista o genérico, o médico autorize e o doente consinta é possível substituir medicamentos "de marca" por medicamentos genéricos. (2)

Como é que se distinguem os medicamentos genéricos dos restantes medicamentos?

Os medicamentos genéricos são facilmente identificados pela sigla "MG", que consta obrigatoriamente na sua embalagem, e pelo nome. Este nome é geralmente composto pelo nome da substância activa e pelo nome do laboratório que o comercializa. O nome da substância activa é proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e é conhecido como Denominação Comum Internacional (DCI). (3)

O medicamento genérico tem o mesmo efeito do medicamento de marca?

Sim.
O medicamento genérico tem a mesma eficácia terapêutica do medicamento de marca original, isto é, do medicamento cuja substância com actividade terapêutica ou fármaco foi autorizada pela primeira vez no mercado com base em documentação completa sobre a eficácia, segurança e qualidade do mesmo. O medicamento genérico é o único que pode ser prescrito em substituição do medicamento de marca, caso o médico autorize e o doente consinta, uma vez que foi submetido a todos os testes para garantir igual acção terapêutica.
Os medicamentos genéricos têm a mesma qualidade, eficácia e segurança mas um preço inferior ao do medicamento original.

Existem medicamentos genéricos para todas as doenças? 

Não.
Para várias doenças, os medicamentos existentes são muito recentes, como por exemplo medicamentos utilizados na doença de Alzheimer ou na SIDA. Estes medicamentos contêm substâncias activas ou seja, substâncias com actividade terapêutica ou fármacos, que ainda estão protegidas por patente, pelo que ainda vai demorar algum tempo até surgirem os primeiros medicamentos genéricos com essas substâncias activas. (4)

Quais são as vantagens dos medicamentos genéricos?

Os genéricos são medicamentos cujas substâncias activas ou seja, substância com actividade terapêutica ou fármaco, se encontram no mercado há vários anos e que, por essa razão, permitem um melhor conhecimento do respectivo perfil de segurança.
Além disso, são 35% mais baratos do que o medicamento de marca original, com a mesma forma farmacêutica e igual dosagem, o que se torna uma vantagem económica tanto para as pessoas como para o Serviço Nacional de Saúde. (5)

Posso pedir na farmácia que substituam o medicamento que o meu médico me receitou por um medicamento genérico?

A substituição do medicamento prescrito por um medicamento genérico depende da forma como o médico preencheu a receita. O novo modelo de receita médica tem a particularidade de permitir que o médico escreva se permite ou não que o doente, ao chegar à farmácia, substitua um dado medicamento de marca pelo respectivo medicamento genérico. O médico prescritor tem pois de assinalar um de dois quadrados da receita: um que autoriza a dispensa do genérico e outro que não autoriza. No caso de nenhuma das opções estar assinalada, significa que o médico não se opõe à substituição. Nestes casos, o Farmacêutico informa o doente sobre os preços dos medicamentos genéricos equivalentes e que são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde.(2)
O doente decidirá se quer ou não o medicamento genérico equivalente e, portanto, beneficiar de um custo menor. 

Posso pedir ao meu médico que me receite um medicamento genérico?

Tudo depende da doença de que sofre e de qual o tratamento que o seu médico entende ser o mais apropriado. Caso saiba que existem medicamentos genéricos alternativos ao medicamento que o seu médico lhe receitou, fale com o médico sobre o interesse de passar a tomar um genérico. Não tome a iniciativa de fazer substituições sem falar primeiro com o seu médico. (4)

Durante quanto tempo devo tomar o(s) medicamento(s)?

A duração do tratamento depende da pessoa e do problema de saúde que está a ser tratado. A duração do tratamento pode ser apenas de dias mas pode prolongar-se por vários anos. 6 No caso de medicamentos prescritos pelo médico, a duração do tratamento será indicada pelo mesmo. No caso de medicamentos não sujeitos a receita médica a duração do tratamento não deverá ultrapassar os 3 a 5 dias.

Posso parar de tomar o(s) medicamento(s) se me sentir melhor?

Mesmo que se sinta melhor, não pare de tomar o(s) medicamento(s) até que o seu médico lhe diga que o pode fazer. (6)

O que são a posologia e o modo de administração?

Posologia é a indicação da quantidade - por exemplo: 1 ou 2 comprimidos - ou dose e da frequência ou situação - por exemplo: 1, 2 ou 3 vezes ao dia; em jejum; às refeições; ao deitar - com que o medicamento deve ser tomado. O modo de administração indica a forma como o medicamento entra em contacto com o organismo (via oral, rectal, injectável, etc.). (4)

Que cuidados devo ter com os Medicamentos?

• Procure conhecer os medicamentos que toma, através da leitura do folheto informativo (bula) que acompanha os medicamentos e dos esclarecimentos do médico ou farmacêutico.
• Informe sempre o médico ou farmacêutico dos medicamentos que toma, se está grávida, pretende engravidar ou está a amamentar, outras doenças, etc.
• Tome os medicamentos tal como lhe foram indicados, em termos de horários, dose, duração do tratamento e do que fazer caso se esqueça de uma toma.
• Utilize os utensílios de medida - copo, colher, conta-gotas, etc. - de acordo com as instruções.
• Mantenha os medicamentos na embalagem de origem, seguindo as instruções de conservação. Feche imediatamente a embalagem após o uso.
• Proteja os seus medicamentos da luz, calor e humidade. É aconselhável guardar os medicamentos em armários onde as crianças não tenham acesso, preferencialmente não na casa de banho - por causa do calor e humidade - e longe dos alimentos ou de produtos químicos, como produtos de limpeza da casa.
• Verifique sempre o prazo de validade e o aspecto físico dos medicamentos. Em caso de dúvidas pergunte ao seu médico ou farmacêutico.
• Não utilize medicamentos indicados para outra pessoa.
• Caso se esqueça de tomar uma dose, não tome uma dose dupla na próxima vez, a não ser que para tal tenha sido aconselhado.
• Para evitar problemas não engane as crianças quando administrar medicamentos. Não diga que é doce, se o sabor for desagradável, pois ela deixará de acreditar em si; se não for desagradável ela poderá acreditar que é realmente um doce e eventualmente ingerir doses excessivas.
• Mantenha os medicamentos fora do alcance das crianças. (2)

O que é a automedicação?

A automedicação é a administração de medicamento(s) sem orientação técnica, com o objectivo de prevenir ou aliviar queixas autolimitadas. O doente responsabiliza-se pela melhoria da sua saúde. 8
A automedicação pode ser prejudicial à sua saúde e por este motivo, deve solicitar sempre a orientação do seu farmacêutico. Não tome medicamentos de outras pessoas sem orientação do farmacêutico, mesmo que as situações lhe pareçam idênticas.

O que é a polimedicação?

Polimedicação é o uso simultâneo, e de forma crónica - consumo durante um período superior a 3 meses -, de medicamentos diferentes, pelo mesmo indivíduo. 7 Sobretudo nos idosos, que sofrem de várias patologias, a polimedicação torna-se comum. Nas situações de polimedicação (pluriprescrição) tem que haver uma atenção redobrada por parte do médico prescritor para minimizar ou mesmo evitar interacções medicamentosas ou efeitos secundários – adversos - dos medicamentos.
Em situações destas o doente é um excelente colaborador se descrever ao médico ou ao farmacêutico quaisquer sintomas que lhe pareça poderem relacionar-se com a toma dos medicamentos.

O que é uma reacção adversa de um medicamento?

Uma reacção adversa de um medicamento é qualquer resposta prejudicial e indesejada a um medicamento que ocorre com doses que habitualmente se usam para profilaxia, diagnóstico, tratamento ou para modificação de funções do corpo humano. 9 Se durante a toma do(s) seu(s) medicamento(s) sentir alguma reacção adversa deve informar o seu médico ou farmacêutico assim que possível.
Os efeitos que ocorrem devido à sobredosagem de medicamentos - toma em excesso - não são considerados reacções adversas.

O que é um efeito secundário de um medicamento?

Mesmo quando se toma um fármaco observando rigorosamente todas as indicações, o medicamento pode produzir efeitos para além dos desejáveis.
Estes efeitos, diferentes do fim a que destina o medicamento, designam-se efeitos secundários. Por exemplo, a aspirina serve para aliviar dores, mas também evita os coágulos sanguíneos. Este fenómeno é considerado como um efeito secundário. O problema é que se, por vezes, o efeito secundário pode ser benéfico para certas pessoas, pode também causar sérios problemas noutras que não necessitam ou que não podem expor-se à função secundária do medicamento. Existem, por exemplo, diversos fármacos que podem provocar sonolência ou outro tipo de manifestações.
Os médicos e os farmacêuticos devem informar sobre estes e outros possíveis efeitos secundários, para que os pacientes saibam aquilo com que podem contar. (2)

O que é uma interacção medicamentosa?

Quando administrado isoladamente, um medicamento produz um determinado efeito, mas quando é associado a outro(s) medicamento(s), ou com alimento(s) pode ocorrer um efeito diferente do esperado. Assim, interacção medicamentosa é a alteração da actividade de um medicamento quando este é tomado simultaneamente com alimentos ou outros medicamentos. Esta alteração pode ser prejudicial ou benéfica para o doente. 8
Por exemplo, alguns medicamentos podem ligar-se, no tubo digestivo, a outros tomados simultaneamente e formarem misturas que podem ser mais ou menos absorvidas que os fármacos isoladamente. Esta situação pode levar a que a quantidade de fármaco que é absorvida pelo organismo possa ser maior ou menor que a necessária para o tratamento. (11)

O que é um medicamento manipulado?

Medicamento manipulado é um medicamento preparado numa farmácia ou nos serviços farmacêuticos hospitalares, segundo uma receita médica e destinado a um doente determinado ou segundo as instruções de um livro próprio (farmacopeia) ou formulário. 8
Os medicamentos que são vendidos com denominação e embalagem própria da empresa que os fabrica ou comercializa são designados de especialidades farmacêuticas. (11)

Posso adquirir medicamentos pela Internet?

Em Portugal, a venda de medicamentos através da Internet, sejam eles sujeitos ou não sujeitos a receita médica, é ilegal, dado que só podem ser vendidos em farmácias e, no caso dos medica¬mentos não sujeitos a receita médica não comparticipados, também nos locais de venda registados para o efeito.
A venda de medicamentos através da Internet, nos moldes actuais, pode apresentar riscos, uma vez que apenas os meios licenciados – Farmácias e locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica – onde todo o circuito é sujeito à regulamentação e controlo, garantem aos consumidores a segurança, qualidade e eficácia dos medicamentos. (1)

Quantos medicamentos distintos e quantas embalagens podem ser prescritos em cada receita médica, comparticipados pelo estado?

Para haver comparticipação em cada receita médica só podem ser prescritos até quatro medicamentos distintos, com o limite de quatro embalagens por receita. O número máximo de embalagens admitidas por medicamento, numa receita, é de duas. (1)

Qual é a validade da receita médica?

A receita médica não renovável é válida pelo prazo de 10 dias úteis a contar da data de emissão. A receita médica renovável é constituída por três vias e é válida por seis meses.(1)

O que devo fazer às embalagens vazias, aos medicamentos que não utilizo ou cujo prazo de validade expirou?

Não deite as embalagens vazias, os medicamentos que não necessita ou cujo prazo de validade expirou no lixo. Deve entregá-los sempre na sua farmácia.
Pode solicitar na farmácia um saco (o “verdinho”) para colocar os medicamentos ou utilizar um saco que tenha em casa. Quanto aos medicamentos, devolva-as dentro das respectivas embalagens, incluindo o folheto informativo e todos os acessórios (colheres ou copos de medida, por exemplo), assegurando-se de que estão bem fechados de modo a que o seu conteúdo não se derrame.
Desta forma garante que os medicamentos são destruídos de forma adequada, não contaminando a natureza. Com este simples gesto está a contribuir para a saúde de todos nós e do meio ambiente. (10)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) www.infarmed.pt (2) www.anf.pt (3) www.portaldasaude.pt (4) www.generis.pt (5) www.deco.proteste.pt (6) www.ufpa.br/ccs
(7) Silva, Paula; Luis, Sónia; Biscaia, Andre; Polimedicação: um estudo de prevalência nos Centros de Saúde do Lumiar e de Queluz, Revista Portuguesa de Clinica geral, 20: 323-36, 2004 (8) Rocha, António; Gomes, Maria; Soares; Maria; Botelho, Rui; Glossário Farmacêutico Português; 2ª Edição, Ordem dos Farmacêuticos; 2003; Lisboa (9) www.who.int/en
(10) www.valormed.pt (11) Silva, J.A. Aranda da; Falando de Medicamentos; Tribuna press; 1994


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